Delegada Clécia Vasconcelos comenta índice de gravidez infantil na Bahia e alerta para responsabilidade familiar

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Delegada Clécia Vasconcelos comenta índice de gravidez infantil na Bahia e alerta para responsabilidade familiar

Foto: Sotero Filho/ Casos de Policia FSA

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde revelam que, a cada ano, mais de 300 mil crianças e adolescentes se tornam mães no Brasil, sendo quase 14 mil apenas entre 10 e 14 anos. A situação tem despertado a preocupação do Instituto Anis de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, que chama atenção para os elevados índices de gravidez precoce no país.

Em entrevista aos repórteres Messias Telles e Sotero Filho, do site Casos de Polícia FSA, a delegada Clécia Vasconcelos, titular da DAI de Feira de Santana, comentou os dados recentes que apontam a Bahia como o estado com o maior número de crianças e adolescentes que engravidaram em 2025. Segundo levantamento nacional, mais de 6 mil meninas de até 17 anos deram à luz ao longo do ano — entre elas, crianças com apenas 12 anos.

A delegada destacou que recebe com frequência casos de meninas de apenas 11 anos grávidas. Ela reforçou que, pela legislação brasileira, qualquer relação sexual com menores de 14 anos é considerada estupro de vulnerável, independentemente de suposto consentimento ou da autorização dos pais.

Ouça a entrevista:

“Não adianta dizer que foi consentido ou que o namoro era permitido. Já atendi aqui mãe reclamando porque o posto de saúde não entregou anticoncepcional para a filha de 11 anos. Como planejar vida sexual para uma criança?”, questionou.

Clécia Vasconcelos enfatizou que o problema vai além dos números e reflete falhas profundas na proteção e na formação das crianças. Para ela, a sociedade precisa retomar valores que garantam o desenvolvimento saudável dessa faixa etária.
“Criança tem fase de brincar, estudar, praticar esporte. Criança não é para namorar”, afirmou.

Foto: reprodução/rede social

A delegada também chamou atenção para casos em que os próprios responsáveis naturalizam a atividade sexual precoce, alertando que essa postura pode levar à responsabilização legal.
“O pai e a mãe têm o dever de guardar e cuidar. Quando permitem que uma criança de 11 anos tenha vida sexual, estão sendo omissos e podem responder por isso”, destacou.

Segundo ela, muitos pais têm perdido o controle dos filhos por falta de acompanhamento contínuo, agravado pela influência massiva das redes sociais e pela ausência de limites.
“Hoje os jovens têm acesso a todo tipo de informação, mas não à informação de qualidade. Ficam no TikTok, consumindo o que aparece, muitas vezes influenciados pela contracultura. São rebeldes sem causa. Educar é difícil, exige repetição, diálogo, presença. E muitos pais, cansados pela rotina, acabam abrindo mão desse acompanhamento”, explicou.

Foto: reprodução/rede social

Clécia relatou que chegam à Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI) diversos casos de crianças e adolescentes envolvidos com drogas, crimes e comportamento de risco, muitos com apenas 11 ou 14 anos.
“Em algum momento faltou o devido acompanhamento. Não podemos desistir dos nossos filhos, mas é preciso reconhecer que muitos perderam o comando, e as consequências chegam”, finalizou a delegada.

Reportagem: Sotero Filho e Messias Teles – Casos de Polícia FSA

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